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Miramez é o guia espiritual do médium
João Nunes Maia e o orienta desde 1958, quando manifestou-se pela primeira vez
durante uma reunião na União Espírita Mineira, em Belo Horizonte. Fernando
Olivídeo era espanhol e, a serviço do rei da Espanha, pisou nas terras
brasileiras para nunca mais sair. Doou todos os seus bens na sua terra natal e
tornou-se protetor de índios e negros, sendo por eles chamado Pai Branco.
O nobre espanhol tinha grande interesse
pelas histórias dos povos e nações da Terra. Procurava informações sobre as
descobertas de Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral e, mesmo sem
conhecê-las , já sentia afeto pela Terra de Santa Cruz.
Rapaz inteligente e estudioso tinha
grande carinho pelo povo humilde, pelos índios invadidos na sua cultura, pelos
negros que sofriam sob os açoites.
A amizade do rei, Filipe IV, facilitou
a realização do antigo desejo de Miramez: conhecer as terras do Novo Mundo. O
rei conhecia os princípios de integridade e a elevada moral de Fernando. Porém,
achava que ele tinha algumas deficiências a corrigir: era avesso às guerras,
repudiava a violência e defendia os direitos dos povos e, principalmente, dos
indivíduos.
Nomeado pelo rei para realizar uma
ambiciosa missão de posse de terras e a conter o poderio português, Miramez
percebe a oportunidade de conhecer e viver na Terra de Santa Cruz, e participar
da sua preparação como Pátria do Evangelho.
Em 1649, Miramez desembarca como
turista, no Maranhão. Em terras brasileiras, ele transmite ao soberano da
Espanha somente os acontecimentos que poderiam ser benéficos ao Brasil,
omitindo as notícias que poderiam prejudicar os povos que já residiam na terra.
O desprendimento de Fernando era tão
grande que, no início, mesmo sem saber o idioma, entendia os novos amigos pelos
gestos e por intuição. Os nativos, por sua vez, viam nele um amigo que
proporcionaria alívio aos sofrimentos e às perseguições pelas quais passavam.
Os índios e escravos já eram a sua
família e a volta a Espanha não era seu desejo. Meditando sobre o seu retorno
ao país natal, ele sente uma voz suave, dentro da sua consciência, que diz:
"vai, vende todos os teus bens,
distribuí-os entre os pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me!" Era a fala
de Jesus citada na parábola do mancebo rico, presente no Evangelho. ( Mateus,
XIX, 16-24, Lucas, XVII, 18-25 e marcos, X, 17-25).
Surpreso, sentia que aquela voz era sua
conhecida, mas, de onde? E a voz, interna, continuou: "Fernando, podes vender todas as tuas posses
na Espanha e distribuir o dinheiro entre os necessitados de tua pátria! Os
daqui, necessitando passar pelos processos renovadores, precisam mais da tua
riqueza mental, do resultado de tuas mãos operosas, do tesouro armazenado em
teu coração e da tua presença confortadora!
Seguindo a sua consciência, o nobre
espanhol envia procuração a amigos de confiança, na Espanha, autorizando-os a
vender os seus bens e distribuir o resultado entre os carentes e sofredores da
Península Ibérica.
Desde então, sua vida se entrelaçou
mais ainda à dos índios e negros da Terra de Santa Cruz. Todos o tinham como o
Pai Branco, Filho do Sol ou Homem que veio da Luz.
Catequizadores descobriram aquele homem
culto e fascinante como pastor de dois rebanhos: trabalhando arduamente pela
aproximação entre índios e negros e obtendo êxito na amizade entre as duas
raças. Assim, Miramez passou a freqüentar o grupo de catequizadores, por perceber
ali campo propício à prática dos seus ideais. Conseguiu, com seu trabalho e
esforço conjunto, a promulgação da lei de proteção aos índios, em 1680.
Espírito de imenso amor, Fernando Miramez de Olivídeo renunciou
a maiores patamares de luz a que tem direito, por merecimento, e permanece
ligado à Terra amada, orientando o Centro Espírita Maria Nunes e outros
trabalhos para o progresso da humanidade.
O primeiro livro escrito por Miramez,
através do médium João Nunes Maia, foi Alguns Ângulos dos Ensinos do Mestre. A
comunicação, entre ambos, continuou até 1991, quando João Nunes desencarnou. O
saldo desta relação médium/guia espiritual resultou em 62 livros, publicados
pela Editora Espírita Fonte Viva.